…em outro lugar, em outra parte…

Graduação e afins no Reino Unido

Parte do meu plano nesta segunda fase de Reino Unido é completar 3 anos de moradia para daí ir à universidade pagando o que eles chamam de “home fee”, um direito que pessoas com cidadania européia têm morando neste país. A lei é a seguinte: estudante internacional paga mais ou menos 15 mil libras por ano aqui. Já cidadãos da Comunidade Européia pagam 1/3, cerca de 5 mil libras. Para exercer esse direito voce deve estar morando no Reino Unido ou no país da cidadania há pelo menos 3 anos.

Quando voltei ao Brasil em marco deste ano após 2 anos em Londres e alguns poucos meses aqui em Killin isso pesou bastante. Se eu ficasse mais de 2 meses fora do Reino Unido eles desconsiderariam todo o período que havia passado aqui. Por isso e outros motivos resolvi voltar.

O ano acadêmico aqui começa em setembro e neste mes em 2009 eu provavelmente estarei nas salas de aula de alguma universidade da Escócia!

As universidades britânicas estão entre as melhores do mundo. Todas elas (com exceção de uma ou duas) são do governo e este as inspeciona com freqüência, daí o nível de qualidade. Outra opção são os Colleges, escolas privadas, mas que não têm controle algum de qualidade, daí não serem lá muito confiáveis.

Se você quiser checar rankings de universidades e cursos vá ao site do The Guardian ou do The Times, este aparentemente possui mais credibilidade.

Aqui o sistema de estudo é diferente e há duas modalidades, full-time e part-time. No caso de um Mestrado o primeiro dura 1 ano e estudantes internacionais têm que estudar obrigatoriamente neste período. Part-time dura dois anos e é uma opção apenas para europeus.

O sistema de estudo aqui é bem diferente do Brasil: há uma carga enoooorme de coisas para se fazer em casa. O professor aparentemente não te dá tudo mastigadinho, voce tem que correr atrás, ler muuuito, fazer relatórios, etc. E aqui não tem essa de dar uma copiadinha e uma coladinha da internet não. As universidades tem um software que detecta cópias se você escrever duas ou três palavras seguidas de alguma obra já publicada. O negócio não é brincadeira não :).

Para entrar na universidade você tem que mostrar as notas que obteve no segundo grau. Muitas só aceitam quem tirou o equivalente a 8, 9 e 10 por exemplo, são as universidades de primeira linha como Oxford, Cambridge, London School of Economics, etc.

A opção mais acessível para estudantes estrangeiros acaba sendo os Colleges, pois são mais baratos e o grau de exigência na selecao é menor, por isso, se você acabar optando por um College vá visitar o lugar antes, converse com os alunos para checar a opinião, pois querendo ou não, apesar de mais barato o valor é em libras e para nós, brasileiros, isso sempre significa multiplicar nosso realzinho por outro número, no momento 3 vírgula alguma coisa.

O nível de inglês, claro, também é levado em consideração. Nas universidades você precisa apresentar o IELTS (notas entre 5,5 e 6,5, depende se é Graduacao ou Pós) ou o Cambridge (nével Advanced) ou o TOEFL. O IELTS é o mais aceito, mas tem validade apenas de 2 anos. Se você quer ter este certificado válido para o resto da vida, pelo menos como documento, aí o recomendável é o Cambridge.

Também é preciso traduzir todos os seus documentos escolares em um tradutor juramentado, bem como anexar a eles um Statement of Purpose, que é uma redação dizendo porque voce escolheu tal curso e tal universidade. Aqui no Reino Unido eles não gostam de bla, bla, bla não, então vá direto ao ponto, seja objetivo, nao escreva fazendo rodeios… eles simplesmente vão rir de voce. Como dizemos em jornalismo, escreva no esquema “lead” respondendo as perguntas “o que, como, quando, por que, onde” e jogue fora o que chamamos de “nariz de cera”, que é escrever um texto com histórinhas e recheios que na verdade não têm muita importância.

Se voce quiser mais dicas sobre estudar pode escrever para mim, trabalhei com isso por um tempo e posso, quem sabe, responder suas perguntas :)

25. 08. 2008   1 Comentário

Aprender inglês

Aprender inglês em terra estrangeira é o melhor jeito, todo mundo sabe. Se quer aprender rápido, fuja de brasileiros, isso também todo mundo sabe. Em Londres eu até que conseguia fugir de conviver com brazucas, sempre evitei. Quase não fui à escola e aprendi inglês com livros de gramática (self-study books, os do Raymond Murphy, University of Cambridge, são os melhores) e vocabulário sempre peguei no dia-a-dia. Isso porque sou chata mesmo, vivo perguntando o que tal palavra signifca, como posso dizer tal coisa em inglês, etc.

Faz quase seis meses que moro na Escócia onde simplesmente não há brasileiros. Se há deve dar para contar nos dedos. Onde trabalho sou a única, então eu nunca falo português, nunquinha. Tenho que ligar para o Brasil para tal ou algum amigo em Londres. Resultado: penso em inglês hoje em dia e até mesmo quando estou sozinha o inglês acaba vindo antes.

Por conviver com pessoas cuja primeira língua é essa meu grau de exigência é alto e sei que ainda tenho muito que aprender mesmo estando há dois anos e meio por aqui.

Poucas pessoas conseguem identificar meu sotaque aqui, acham que sou polonesa, alemã… O que tem acontecido é que por meu inglês estar até que afiado tenho conseguido entender mais as piadas, as ironias, estou pegando a malícia da coisa, o que leva tempo, ah se leva. Tem o lado bom, você já não é feita de boba sem perceber. Mas confesso que às vezes preferia não entender… essa semana tem uma pessoal do Sul da Inglaterra aqui e os ingleses desta parte têm fama de serem bem nasty (desagradáveis). Aparentemente os do Norte é que são gente boa. Pois bem, nao é que um deles, ao me ouvir falar, vira e diz: “ah estas pessoas que vem para cá falando seu próprio dialeto” e ai ele imitou meu jeito de falar. Pode???

A maioria dos english speakers não sabe um segundo idioma, então não passam por esta experiência e muitos acham mesmo que você, estrangeiro, não deveria estar aqui. Isso é mais presente na geração de pais e avós e neste caso tratava-se de um senhor de uns 70 anos. A maioria não têm a mínima idéia do que é migrar para outro país, conviver com outra cultura, aprender um novo idioma.

Já li algumas reportagens de britânicos que decidem se mudar para o glamouroso sul da França e quando chegam lá percebem que a coisa é bem diferente. Muitos decidem voltar após poucos meses tendo em mente que se mudar foi um erro. Mas quem foi que disse que seria fácil? Fácil não é, mas se você é forte o bastante para agüentar os primeiros 2,  3 anos, ah… aí sim você pode julgar a mudança e, ”hopefully”, colher os frutos que colocou como alvo!

21. 08. 2008   1 Comentário

Viajando pela Irlanda - Oeste

Cerca de duas semanas atrás realizei um dos sonhos desde que cheguei a Irlanda: alugar um carro e dirigir do lado ‘errado’ do carro, do lado ‘errado’ da rua. Experiência interessante (mesmo tendo sido meu namorado quem dirigiu a viagem toda) considerando que você sempre pensa que vai bater contra o carro do outro lado da rua, quando faz a curva. Inesquevel, eu diria.

Aproveitamos mais um dos tantos feriados bancários em Dublin para fazer uma viagem de carro pela Irlanda. O visual é muito bacana, retrato exato do que alguns filmes mostram: bucólico, vazio, com muitos campos e montanhas.

Visitamos algumas cidades importantes da região oeste / sul, como: Galway, Gort (famosa pela quantidade de brasileiros residentes), Kilkenny e Doolin. Kilkenny é famosa pelo seu grande castelo, residência de famílias importantes Britânicas por mais de 800 anos. A foto mostra um pouco da grandeza absurda do local. Mas a parte mais marcante, sem duvida, Cliffs of Moher. Fiz uma pesquisa rápida na internet pra poder passar a vocês um pouco mais da historia do lugar:

O Cliffs of Moher (também conhecido como o Cliffs de Coher) estão localizados no Condado de Clare, na Irlanda. As falésias medem 120 metros (394 pés) acima do Oceano Atlântico em HAG’s Head (um dos lados), e chegar a sua altura máxima de 214 metros (702 pés) ao norte da Torre de O’Brien (o outro lado), oito quilômetros de distância.
O’Brien’s Tower foi construído por Sir Cornélio O’Brien, um descendente do rei da Irlanda do Alto Brian Boru, em 1835, como uma torre de observação das centenas de turistas que frequentavam as falésias desde aquela data. Moher torre, localizada na HAG’s Head, são os restos de uma torre de vigia construida durante reinado de Napoleão na Europa.

Cliffs of Moher

20. 08. 2008   0 Comentários

Fases (1?)

Já não é a primeira vez que me pego pensando nisso. Nossa vida é recheada de fases, sejam elas da lua, idade, apegos e desapegos. Numa hora gostamos mais de sessão da tarde com nega maluca, um tempo depois, filme só tem graça no cinema com pipoca  e boa companhia.

Desde que cheguei as terras irlandesas, a vida mudou bastante, mas principalmente, as fases ficaram mais evidentes. Fica fácil percerber que o interesse pelas coisas mudou, que não gosto nem quero mais aquilo que queria antes. Mas principalmente, que a lista de planos feita lá no Brasil, há quase um ano atrás, hoje é só mais uma dessas listas que fazemos no ano novo.

Não, não quero dizer que desisti de alguma coisa, mas sim que minha conciencia hoje se faz diferente, e que talvez coisas que nem sonhava realizar antes de embarcar me parecem mais cabíveis e interessantes do que outras que antes se passavam no topo da lista.

Acho isso bacana no que se relaciona a evolução da espécie, mas também me pergunto se não estou deixando alguns sonhos para trás… Se no momento em que voltar as terras tropicais, os sonhos não voltaram a minha cabeça e junto com eles a sensação do dever descumprido.

Alguém, algum palpite?

PS: a foto é para ilustrar o momento bucólico. Uma praia qualquer, na Irlanda.

17. 08. 2008   1 Comentário

Se Amalha não quiser ir…

Eita que essa obra em casa acabou e eu votei!

e…

Morreu Caymi.

Lembrando dele, com outra brasuquinha, cantávamos “Eu vou pra Maracangalha, eu vooou…” e um gringo pergunta:”… é no norte ou no sul?”. Acho que seu Dori iria rir….

Rimos, sob um lindíssimo eclipse lunar, numa agradável noite de verão, cada qual com seu copo nas mãos.

Um brinde Caymi, vá em paz (não digo repouse porque esse foi o homem mais repousado da história) !

Eis seu início:

16. 08. 2008   0 Comentários

Porque optamos por estas cidades

A idéia que temos de uma cidade nem sempre se confirma quando moramos nela. Tudo muda e no dia-a-dia o sonho pode ser confirmado ou destruído num piscar de olhos. Mas antes disso, como decidimos trocar aquela cidade onde vivemos tantos anos por uma específica do outro lado do mundo. Os colaboradores do Alhures.org contam:

Por que você optou por morar nesta cidade?

Carolina (Londres) - Eu amo Londres. Já havia morado aqui antes e sempre senti que precisava voltar. Essa cidade tem a mistura exata do caos e tranqüilidade que eu preciso. Aqui você pode ser quem quiser, como quiser e quando quiser. Além disso, Londres fervilha todo tipo de manifestação artística e é um ótimo lugar para se conhecer gente diferente, com outras opiniões sobre o mundo, sobre a vida e isso me faz a cabeça. Por isso pensei na cidade na hora de escolher o curso de mestrado (além é claro das ótimas instituições de ensino). Londres é um mundo do qual eu gosto de fazer parte, um mundo global não necessariamente imenso como São Paulo, de onde vim. Um lugar para crescer, aprender e, definitivamente, viver.

Carol (Barcelona)- Estava em dúvida entre Londres e Barcelona. Londres porque é um sonho antigo. Sempre quis viver em Londres. O tempo da cidade é muito parecido ao meu e como sou enamorada da música , também desde cedo, é onde tudo acontece e queria me sentir mais próxima disso. Fora as referências de todos os tipos que encontra numa simplória saída de casa. Porém, Barcelona surgiu como uma interessante oportunidade de estar perto de tudo com um vida mais ‘tranqüila’ e eu queria aprender espanhol. Além disso, surgiu uma oportunidade de trabalho real, numa empresa de festivais. Não tive muito o que pensar.

Camila (Dublin) - Os fatores “práticos” foram essenciais: cidade onde poderia aprender inglês, na Europa, com moeda Euro e sem dificuldade de ter visto de trabalho. Para quem só estava afim de dar um tempo e estudar um pouco é perfeito, né?

Vivian (Trieste) - Vim somente para conhecer a família do meu (agora) marido e a qualidade de vida, junto ao charme da estrutura geográfica (mar e montanha) me encantaram.

Renata (Killin) - Escolhi um lugar pequeno e bucólico para morar depois de 32 anos morando em cidades grandes. Estava em Londres e arrumei um emprego em Killin, nas Highlands, através do site Gumtree, muito famoso no Reino Unido. Apesar de um tiro no escuro, deu certo! Aqui foi o primeiro lugar que me senti em casa fora do Brasil… pessoas muito amáveis e acolhedoras.

*Quer saber mais sobre morar fora? Pergunte aos colaboradores do Alhures.org.

11. 08. 2008   0 Comentários

‘Tropa de Elite’ não pega geral nos cinemas britânicos…ainda

Quando ‘Tropa de Elite‘ foi lançado no ano passado eu já estava aqui. Como o próprio Ministro da Justiça do Brasil tinha assistido o filme antes do lançamento (bem como mais da metade do país, através de cópias piratas) achei que não seria tão grave fazer o download e ver do que se tratava.

O filme chegou oficialmente às salas do Reino Unido ontem. Algumas poucas salas, é claro, mas chegou!

Como brasileira, percebi que as associações comumente feitas ao nosso País (carnaval, futebol e mulher bonita - de vez em quando essa última é substituída sem cerimônia pelo pejorativo puta) aqui em Londres ganharam um novo e importante item: ‘Cidade de Deus‘. O filme é relembrado muitas vezes quando digo que vim de terras tupiniquins, mas nem sempre tão bem compreendido pelos gringos quanto eles gostam de acreditar (da mesma forma que o carnaval, o futebol e nossas mulheres).

Corro o risco de parecer preconceituosa ou limitada aqui, mas honestamente não sei como um inglês que reclama de um atraso de cinco minutos no transporte público ou que vê a chuva como o maior problema do seu dia-a-dia conseguiria entender as desventuras e paixões de Buscapé. Pelo menos não da forma crua, ainda que colorida, que um brasileiro consegue. Claro que esteticamente o filme é um marco incontestável do cinema nacional. Mas a mensagem se perde e tudo que eu ouço são variações de adoração à tal cena da galinha.

Por isso tenho medo que a mensagem de ‘Tropa de Elite‘ será filtrada pelas experiências britânicas com a polícia e que ao ver a brutalidade meus amigos ingleses esqueçam de enxergar o que a motiva ainda que isso, para mim, esteja claro no filme. Mais importante, como traduzir as falas impactantes do Capitão Nascimento que até eu demorei a reconhecer quando ouvi na voz de amigos e familiares tantas vezes.

Traduzir uma cultura é muito difícil e pode ser que essa falha de comunicação seja o que em parte me ofende quando vejo a nossa cultura representada (ou mal interpretada) no exterior, mas também não sei se eu mesma não faço o mesmo com alguma representação do mundo em que hoje vivo.

De qualquer forma, quando me perguntam ‘Carolina, eu devo assistir ‘Elite Squad‘(nome do filme em inglês)?’ eu me resigno a dizer: “Se você gostou de ‘Cidade de Deus’, vai gostar de ‘Tropa de Elite’. Não que ache os filmes parecidos, longe disso. Mas sei que para inglês ver essa afirmação coloca o filme no patamar de produções brasileiras assistíveis. As explicações virão depois…primeiro é preciso ver o que eles realmente acharão do filme e eu já presumi demais a respeito disso.

Agora, o que você acha da diferença entre o trailer que passou por aqui e o brasileiro?

+ Narração: Eles cresceram juntos, na cidade mais perigosa do mundo, vendo os criminosos comandarem as ruas e os corruptos comandarem a lei. Mas quando a cidade atingiu seus entes queridos sua única opção foi entrar para a luta. Agora eles farão parte da principal força policial do país para limpar o crime de ambos os lados da lei.

9. 08. 2008   1 Comentário

Homens estrangeiros

Hoje, após 2 anos e meio morando fora, eu acho que já posso dizer: eu amo homem estrangeiro. Já nem me interesso mais por brasileiros, me desculpe se algum estiver lendo.

É o seguinte… gringo é muito fofo! Especialmente os britânicos. Sua falta de malícia é encantadora se comparada com a dos brazucas… eles também são respeitadores, não são machistas e, sim, são fiéis! Tudo bem, tem o lance disso ser relativo, não se pode generalizar. Mas sim, a maioria aqui é bem decente!

Dou aqui um exemplo pessoal para mostrar a diferença entre sangue latino e sangue britânico.

Conheci um escocês que se apaixonou por mim, mas está para casar e tudo…isso aconteceu há 3 meses. Além dele me dizer as coisas mais belas que já ouvi de um homem, ele também sempre foi super gentil, delicado e respeitador. E mesmo sentindo tudo que diz sentir, nunca aconteceu nada entre a gente. Ele disse que nunca conheceu alguém como eu quando era solteiro (sejá lá o que isso signifique!), que eu mexo muito com ele etc., mas nós só nos encontramos para… tomar café. Isso mesmo. Às 10h da manhã, no Starbucks, lugar bem público para não ter risco. Ele me disse que quer muito ser meu amigo, que gosta muito de mim. Me liga e escreve quase todos os dias. E só. Eu digo para ele que ele me dá esperança de que há sim homens confiáveis no mundo. O cara disse que tem que ser responsável e que nunca magoaria a noiva com uma traição. Tem vários detalhes que só me fazem gostar ainda mais dele como pessoa, como ser humano.

Conheci várias brasileiras casadas com britânicos e todas dizem o mesmo: o marido ajuda em casa, com as crianças, é fiel, companheiro, elas confiam neles, se sentem seguras. Já as historias do Brasil… bom pessoal, todo mundo conhece muitas. A infidelidade lá/ai é comum, já nem assusta tanto, se tornou óbvia.

Eu acredito sim que educação e cultura influenciam

o modo da pessoa se comportar e pensar. Põe limites, isso sim. Talvez todos nós precisemos mesmo de limites, senão o mundo seria uma selva. E alguns tem mais noção de limite do que outros. E o tal do respeito, uma das principais razões por eu ter escolhido viver no Reino Unido e não no Brasil. Bem como a razão para eu agora querer mesmo é me casar com um britânico!

I Do!

6. 08. 2008   0 Comentários

Varandear em Barcelona

*Vanessa da Mata - Não Chore Homem*

Não queria começar assim, mas fazer o quê? Assim foi.

Sentada na varanda da minha passageira casa em eixample, numa poltrona roja da década de sessenta, ao lado do meu banquinho posto cinzeiro, cigarros, isqueiro, celular e copo baixo cheio, mirando a paleta de cores azuis em movimento acima do pátio do colégio, das varandas alheias, umas poucas acessas, e um barulho remoto de taças a subir de algum bar, de algum bar, abajo.

Eu aqui. Consumi quase meia garrafa de whisky pensando na vida. Solidão? Também. Mas vai além.

varandas de barcelona

Casualmente resolvi ouvir Vanessa da Mata. talvez porque busquei no Deezer e não achei muita coisa. Na verdade, praticamente nada da Mata. Aliás, o Last.fm está um pouco melhor. Embora eu acabe sempre postando sons [que para mim] são antigos, nesse encontrei The Do, banda franco-finlandesa, que um site brasileiro afirmou ser a mistura de Pj Harvey com Regina Spektor. Fui escutar, claro. Não estou de acordo, mas vale a pena ouvir at last pela manhã. Gostei mais dos artistas similares.

Atrás, no quarto, uma observação. A televisão espanhola é tão aburrida quanto a brasileira. Nosso produto de exportação, as novelas, gostem ou não, estão, realmente, muito bem. Está certo que no final, como diria Daniel Filho - por quem não tenho muita simpatia, mas que sabe, como ninguém, tudo sobre televisão -, novela é uma só. Janete Clair, em outro patamar, que o diga. Aqui o que mais se vê são os asquerosos programas de fofocas e muitos concursos para levar uma graninha extra. Tem de todos os tipos, entre parejas, de músicas, por um milhão e, entre tantos, um sobre a língua espanhola - com um apresentador super carismático que chega a ficar mais guapo por ser simpático. Eu adoro gente de boa onda. Fato. E este programa, confesso, via para avaliar como estava meu espanhol.

De volta, daqui, com os pés cruzados na grade cinza trabalhada, vejo a ponta de uma igreja que ainda não visitei. Na verdade não devo ir, à exceção da sagrada família que quero conhecer por dentro. Como vou mudar de piso - de novo! -, vou viver muito perto dessa filha de Gaudí, que continua em obras há quase 100 anos, com dezenas de arquitetos e engenheiros dando uma outra roupagem ao projeto finalizado, em detalhes, pelo artista, que, ali, acidentalmente morreu. É gritante a diferença do que foi e do que continua a vir.

Casa nova, vida nova. meu novo clichê com duas espanholas guapíssimas que me abraçaram [merci!]. E um amigo de sampa que chegará em setembro com unas ganas por descubrir barcelona que yo echo de menos! a ver!

Não estou tão só quanto parece.

Sem amores fixos, sem endereços plurais, sem beijos de boa noite. Começo da nova vida indie, que sempre quis, por aqui. Por ali e acolá.

“Aprendiz de tudo, maestro de nada”. Feliz na sacada, até o último gole, com Vanessa e uma cama toda preta pronta.

Sonhos e amanhecer. A lentidão da mudança, na cadência da cidade, do ritmo novo do outro, no traçado exposto de tudo aquilo que há de me levar para além de qualquer olhar. Meu retrovisor futuro cheio de vida. gasta. ContemplAÇÃO. Nas varandas desta vida nômade minha de saídas, idas e vindas, visitas, amores, amigos e horizontes. Pra frente é que se anda.

PS:me encantam as varandas! Dizem tanto. Pena que no brasil não temos esta possibilidade de olhar. Católicas onze badaladas. Desliga essa tv, caralho!


6. 08. 2008   0 Comentários

Intrusa garoa do Mediterrâneo

**Sonoridade de agora**

Demoro-me. Pelas calçadas, pelas locadoras, pelas livrarias e até pelos caminhos sem trânsito. Andar como se corresse é puro transtorno de paulistano apressado que, até quando não tem aonde ir, se corre. Tenho pressa, mas demoro-me. Até para esta Paulicéia Desvairada, me atrasei. Passei dos nove meses, mas ainda atraquei meu navio ao cais da cidade grande. Aliás: ao caos da metrópole afastada do mar. Por pouco mais de duas décadas. Mas agora, distancio-me.

São Paulo possui próximos 40 milhões de habitantes circulando diariamente à procura de alguém – ou algo – para chamar de seu. Ainda diariamente, vários morrem e vários nascem sem se tornarem notícia nos grandes jornais. Dentro desta grande porcentagem da população brasileira, existe outra – grande? - porcentagem que procura por distintos apreços. Mas isto já é outra fábula, dentre as tantas pelas frestas das grandes janelas acesas. Mas atravesso grandes faixas de pedestre pensando na dimensão do trem que passa pelo litoral Torredembarra.

Torredembarra é uma cidadezinha da região autônoma da Catalunha que, regada pelo Mar Mediterrâneo, possui 14 mil moradores no inverno e 60 mil moradores e/ou turistas no verão. Por indiscrição irônica do vaivém, é dali que me aproximo. Com menos de um mês para me apresentar fisicamente, me pego arquitetando roteiros imaginários de meus próprios futuros minutos.

Pela primeira vez, não haverá a mínima chance de encontrar algum conhecido enquanto estiver almoçando em algum restaurante ou tomando uma cerveja em algum bar. Pela primeira vez, passarei de turista à vívida local. Entre tantos novos apegos, me intensifico na invenção da viagem para depois descobrir, expor àquela identidade cultural, àquela concepção, àquele de todo alhures. Mas claro, à minha calça jeans e minha multidão, o porto prevalecerá.

Ambíguo. Os nomes se modificam e o encéfalo se confunde, se inunde de anseios controversos. Estou indo para um lugar onde não conheço nenhum caminho, nenhum atalho. Onde não conheço a língua, nenhuma gíria. Um lugar completamente novo. Tão novo que me adio. Tenho pressa, mas me adio. Pelos paralelepípedos marcados, pelos postes encostados, pelas portas que nunca se calam. São Paulo nunca foi – nem nunca será – um exemplo de destino. Apesar dos adequados contratempos 24/7, a gentileza é escassa e, pelo contrário, pode ser sólida. Mas toda regra tem sua exceção e as “luzes da ribalta” nunca abandonam o claro.

Claro, o progresso - da bandeira - acontece junto aos brasileiríssimos cúmplices de guerra. É por eles que sentirei mais minha chegada ao outro lado do Atlântico. Na verdade, é por mim em saudade. Na verdade, já estou outrem, em mim, e apenas meus vínculos me permanecem. E com isso, surge a impertinência diária de que sei bem onde quereria estar se não fossem as inquietações climáticas me chamando lá fora.

 

5. 08. 2008   4 Comentários